BEFW: Primeira semana de moda e sustentabilidade em São Paulo

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Essa semana tem início, aqui em São Paulo, a primeira semana de moda voltada para sustentabilidade. É a Brasil Eco Fashion Week (BEFW) que veio para debater, informar e inspirar mais marcas e consumidores a fazer a diferença no mercado. Outro ponto interessante dessa semana é que, além de ter sido elaborada de forma colaborativa, ela é totalmente gratuita, tornando mais acessível esse assunto que é de interesse de todos. Por lá teremos desfiles, showroom, espaço de inovação, bate papos, oficinas e também o lançamento do filme River Blue, documentário que conta sobre a poluição do jeans em um dos rios mais importantes do planeta.Continue lendo

Falo de força, não de flores

Como muitos sabem o dia 8 de março é o Dia Internacional da Mulher e, ao contrário do que os comerciais pregam, o dia de hoje não é somente mais uma data comercial – dia para dar presente para a mãe, um bombom para a namorada ou entregar flores para as mulheres. Nesse dia 8 de março, não queremos apenas os parabéns, queremos ver mais reflexão, mais respeito e, acima de tudo, mais igualdade. Hoje é mais um dia para lutarmos pelos nossos direitos: políticos e de expressão. É dia de nos libertar da violência e de tudo que ainda nos prende.

Desde o início do século XX as mulheres se unem em busca dos seus direitos, sobretudo trabalhistas. O episódio do incêndio na fábrica de Nova York (25/03/1911) somado a greve de trabalhadoras do setor de tecelagem durante a revolução russa (8/03/1917) entre outras manifestações feministas, fizeram com que o dia 8 de março se tornasse aos poucos o principal dia para homenagear as mulheres.

Muitos anos se passaram, muitas revoluções e evoluções aconteceram, mas a igualdade de gêneros ainda está longe de ser alcançada. Pensando nos porquês e sempre em busca de alternativas, resolvi organizar o pensamento em uma lista de 5 problemáticas que considero importantes pra refletirmos juntos não só hoje mas sempre.

  • Equidade salarial: Hoje os homens ainda são a maioria dos empregados no Brasil e a diferença salarial ainda existe. Alguns fatores baseados em como a nossa sociedade é estruturada ajudam a explicar essa diferença. Por conta do machismo algumas mulheres tendem a se concentrar em ocupações que remuneram menos por serem muitas vezes educadas a terem menos expectativas em relação a sua vida profissional. Além disso, elas são muitas vezes obrigadas a interromper a carreira com mais frequência e sofrem preconceito por terem que lidar com questões como a licença maternidade. Estudos indicam que essa diferença salarial é menor em países onde os homens dividem os afazeres domésticos com as mulheres. Nesses lugares, os filhos e o cuidar da casa não tem tanto impacto na vida das mulheres pois as tarefas são responsabilidade igualmente divididas entre o homem e a mulher e o fato dos dois mudarem suas rotinas igualmente com o nascimento de um filho não permite que isso interfira somente na carreira profissional da mulher – lembrando sempre que a única tarefa da maternidade que é exclusividade da mulher é o gerar e o amamentar, todas as outras tarefas podem e devem ser divididas com o pai que é igualmente responsável pelos cuidados da criança.
  • Fragilidade: em muitos momentos aprendemos que para sermos femininas devemos ser delicadas. Mas até que ponto essa delicadeza não nos remete a fraqueza? Por muitos anos a mulher foi – e em algumas culturas ainda é – considerada propriedade do homem, seja na figura do pai ou do marido, mas sempre subjulgada aos cuidados de um homem pra que então pudesse se considerar protegida de tudo e de todos. Em muitos filmes são elas que amam, são elas que se entregam, que se submetem, são elas que sofrem. É preciso lutar para que o ser feminino seja valorizado e fortalecido. É preciso que uma mulher não tenha necessidade de emular comportamentos masculinos pra que seja considerada forte. É importante que a feminilidade não seja imediatamente ligada a fraqueza e fragilidade e sim esteja aberta a todas as múltiplas possibilidades e especificidades que cada mulher pode oferecer.
  • Rivalidade entre as mulheres: desde que o mundo é mundo no entretenimento e nas telenovelas, mulheres são colocadas umas contra as outras em uma disputa por beleza, carisma, talentos e, principalmente, por homens. A cultura de massa que impõe o “beijinho no ombro”, que transforma a outra em “recalcada”, em “inimiga”, em “falsiane” provoca a desunião das mulheres por algo banal e sem sentido. Enquanto isso os homens são estimulados a tratar seus iguais como “parças”, “irmão”, tudo na maior “brodagem”. Acredite, a vida da mulher também pode e deve ser assim. Fica muito mais fácil quando admiramos aquela que está ao nosso lado e nos colocamos a disposição para enfrentarmos juntas as dificuldades de ser mulher.
  • Ditadura da beleza: a mulher foi criada para ser perfeita aos olhos dos homens e da sociedade. Espinhas? Secativo. Rugas? Cremes anti idade. Celulite? Drenagem. É baixa? Salto. Gorduras? Boca fechada e academia agora! Por todos os lados somos cobradas pela perfeição e por nos encaixarmos num padrão. Já parou para se perguntar se você realmente se incomoda com aquelas gordurinhas na lateral da sua barriga ou se é a TV, a revista ou até mesmo o seu próprio marido que te obriga a ter um corpo “ideal”? Ser vaidosa não é tentar corrigir tudo que encontra de “errado” em você. Se amar é se aceitar, respeitar a sua própria natureza e ser do jeito que você escolher ser.
  • Objetificação da mulher: ainda vemos em propagandas, programas de humor e no entretenimento em geral muitas maneiras ofensivas de tratar a mulher. Em alguns momentos elas são colocadas como objeto de desejo e tendo a sua inteligência subestimada por apresentadores que usam e abusam das suas marionetes de palco. Nos filmes e séries elas também são muitas vezes retratadas como perigosas – elas usam o seu poder de sedução para enganar, persuadir e dissimular. A sexualização do corpo feminino em prol da satisfação do homem contribui para que alguns sintam a liberdade de praticar assédios por acharem nossos corpos “convidativos”. A violência contra a mulher é diária, 50% dos assassinatos de mulheres no Brasil, envolvem violência doméstica pela descriminação da mulher.

Que o dia de hoje seja sim de celebração de todas as lutas já vencidas, mas que a gente nunca perca de vista tudo que ainda precisamos conquistar. Que o nosso presente venha em forma de atenção, seja embrulhado de consciência e que os chocolates tenham gostinho de respeito. Esse dia é muito mais sobre força do que sobre flores. Feliz dia das mulheres.

Um outro olhar sobre 2015

2015 ganhou o rótulo de um ano ruim. De fato foi muito complicado em vários aspectos e triste em vários momentos. Mas apesar de tudo, tentei buscar nesse post uma ponta de esperança para que 2016 venha com energias renovadas e traga mais alegria para seguirmos em frente.

Listei 6 acontecimentos que vieram à tona nesse ano que passou e que, na minha opinião, nos faz acreditar que o mundo está passando por uma transformação muito importante nesse momento: a tomada de consciência e a busca pela igualdade.

 

  • FEMINISMO EM PAUTA

2015 foi um ano marcante para as mulheres. Foi o ano em que o feminismo virou pauta de diversos debates nas ruas e principalmente na internet, trazendo mais consciência e força para as mulheres lutarem pelos seus direitos, sua representatividade e pela sua liberdade.

Diversas campanhas foram criadas para ajudarem as mulheres a se libertarem dos machismos, assédios, relacionamentos abusivos e maus tratos. Hashtags como #meuprimeiroassedio e #omeuamigosecreto, vieram com força mostrando que elas não estão sozinhas e podem sim denunciar os abusos que sofrem diariamente e buscar ajuda uma das outras para juntas serem mais fortes.

Um novo debate sobre o que é ser mulher e representatividade feminina ganhou nova forma em campanhas publicitárias, cinema, capas de revistas e no entretenimento em geral.

O Enem também trouxe esse assunto à tona, fazendo milhares de jovens refletirem e escreverem sobre o tema na redação desse ano.

 

  • VIOLA DAVIS – PRIMEIRA MULHER NEGRA A GANHAR O EMMY

Viola Davis fez história em 2015. Pela primeira vez a estatueta do Emmy foi entregue a uma negra na categoria Série Dramática. Em seu discurso emocionado ela reforçou um ponto muito simples e importante: “A única coisa que separa mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade. Não se ganha um prêmio para um papel que não existe”.

 

  • CASAMENTO GAY

No dia 26 de junho de 2015 os EUA deram um grande passo a favor da igualdade e diminuição do preconceito. Nesse dia foi legalizado o casamento gay em todos os estados do país, reconhecendo que o amor é livre de regras e tabus e que todos tem o direito de serem felizes com aquele(a) que escolheram para construir a sua família.

 

  • CONSUMO CONSCIENTE

No ano de 2015 muito se falou sobre consumo consciente e formas alternativas de compra sem grandes prejuízos ao meio ambiente e aos animais.

Marcas veganas ganharam destaque e passaram a ser conhecidas por um número ainda maior de pessoas que se preocupam cada vez mais com aquilo que consomem.

A compra de roupas usadas, como em brechós e em plataformas como o Enjoei, trouxeram uma alternativa ótima para quem passou a se preocupar com o descarte das roupas que não usamos mais. Essa iniciativa além de prologar a vida de cada peça e estimular a troca, evita a geração de ainda mais lixo para o meio ambiente. A reciclagem também pode ser feita no seu guarda-roupa. Basta começar!

Outro ponto super positivo foi a valorização dos produtos feitos a mão. Nada mais prazeroso que comprar algo que você sabe quem fez, como fez e o carinho que foi depositado sobre o que você vai vestir ou colocar na sua casa. A campanha “Compre do pequeno negócio” também veio forte pra nos incentivar a conhecer quem fez aquilo que consumimos. Só energia boa rolando por aí.

 

  • OCUPAÇÃO NAS ESCOLAS DE SÃO PAULO

Os jovens de São Paulo mostraram que juntos tem muito poder. Foi uma luta que arrepiou e encheu de emoção os corações daqueles que acompanharam dia a dia as ocupações em mais de 200 escolas no Estado de São Paulo. Nada mais bonito do que ver essa nova geração cheia de força para multiplicarem o bem e seguirem convictos de seus desejos. Eles lutaram pelo bem mais nobre e que lhes é de total direito: o da educação.

 

  • A YOUTUBER

Dando uma pincelada sobre todos os tópicos acima – feminismo, preconceito, educação e internet – no ano de 2015 o youtube ganhou um canal pra lá de descolado e com muito assunto bom pra debater. Foi o canal Jout Jout, Prazer que fez diversos assuntos interessantes serem debatidos de uma forma totalmente autêntica e livre de julgamentos. Com mais de 600 mil inscritos, Jout Jout ganhou maior notoriedade a partir do vídeo “Não tira o batom vermelho”, que relatava casos de relacionamentos abusivos, e daí em diante não parou mais de ser ouvida e admirada por jovens e adultos também.

 

Tempos difíceis nos faz colocar a mão na consciência e perceber que ainda temos muito a discutir, crescer e evoluir. 2015 foi um ano difícil, mas nos fez sacudir a poeira e lutar ainda mais pelos nossos direitos e pelo que é correto. Tudo na vida tem um lado positivo, basta ter calma e sabedoria para enxergar.