Pausa para o Café com: A Fine Mess

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Utilizando a moda como forma de comunicação, a A Fine Mess trouxe para o Pausa para o Café uma inspiração a mais para quem deseja abrir sua própria marca ou para quem gosta, assim como eu, de conhecer melhor os processos criativos de um produtor independente e se sentir mais próximo de quem faz. Com uma mensagem de empoderamento e força do ser feminino, a marca vem ganhando seu espaço e buscando se comunicar sempre de forma transparente e cheia de leveza, valorizando o corpo de cada mulher e trazendo o conforto ideal para o nosso dia a dia.Continue lendo

Pausa para o café com: Conceito Ada

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Sempre comento por aqui da importância que dou para o significado das roupas que visto. Seja do armário da avó ou das novas marcas conscientes que aparecem cada dia mais, todo esse universo por traz das peças me encanta e me da ainda mais alegria em carregar comigo algo que acredito e que faz sentido pra mim.

Quando conheci a Conceito Ada esse sentimento bom bateu logo de cara. A Ada é uma marca de roupas atemporais, veganas e que tem como principal característica a valorização do ser feminino. Além disso as peças são feitas à mão, com fibras naturais e 100% brasileira. É tanto valor agregado à essas roupas que a gente até perde o fôlego! 

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E foi com muita alegria que eu recebi no começo desse mês um vestido lindo e super confortável que as criadoras da marca me mandaram e pude sentir bem de pertinho todo esse carinho e cuidado que as meninas tem por esse trabalho. Ah, outro detalhe que achei demais: cada modelo de vestido leva o nome de uma grande mulher! Uma homenagem linda para aquelas que fizeram história na nossa luta. O meu foi o Antonieta <3 

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A Conceito Ada é rica em detalhes. Todo o seu processo de criação encanta e nos faz acreditar cada dia mais que um novo ciclo da moda se inicia e vem cheio de estilo, criatividade e consciência. E para explicar cada detalhe da marca, bati um papo com a Camila Puccini e a Melina Knolow, as duas cabeças por traz de todo esse conceito:

– A Ada foi criada e idealizada por duas pessoas. Conte um pouco sobre a trajetória de vocês e o que as motivou a criar a marca:

A marca foi lançada em Março desse ano, porém começou a surgir ao longo do ano passado! Minha sócia é a Melina que também é minha namorada, e ao longo de 2015 tomamos várias decisões e atitudes sobre como gostaríamos que fosse a nossa vida. Comecei a acompanhar intensamente o projeto da Cristal Muniz (um ano sem lixo) e também matérias e reportagens sobre sustentabilidade e consumo consciente. 

Começamos fazendo peças para nós mesmas, e isso foi evoluindo até que percebemos que poderíamos transformar em um negócio! A partir daí começamos na construção da marca, no que acreditávamos e queríamos que a nossa empresa carregasse. Tudo começou pelo nome Ada, que é uma homenagem à Ada Lovelace, a mulher que calculou o primeiro algoritmo a ser processo por uma máquina, considerada a mãe da computação. Decidimos então homenagear essa grande mulher e a partir da definição do segmento de produtos (vestidos) elencamos seis outras mulheres que realizaram conquistas importantes para a história feminista nomeando assim as peças. 

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O conceito slow já fazia parte de nossas vidas, eu (Camila) sou formada em design de moda, e nunca gostei muito do termo “coleções”. Concordamos em trabalhar com modelo de produto, que já é utilizado por indústrias como a calçadista e de mobiliário. Assim cada peça pode ter seu tempo de vida de acordo com a demanda solicitada pelos clientes, sendo o nosso público que determina quanto tempo a peça ficará a venda! Os primeiros seis modelos lançados tem uma tiragem de até 50 peças, e os novos produtos variam entre 5 / 20 / 30 unidades. 

O minimalismo é algo que acreditamos que vem junto com o slow, gostamos de poder ofertar um produto versátil e atemporal, que possa ser utilizado desde um dia no trabalho, um happy hour, um passeio no parque ou uma formatura. Novamente é o nosso cliente que molda nossos produtos de acordo com a sua necessidade e estilo!

Somos vegetarianas a algum tempo caminhando aos poucos para o veganismo, e temos em nossas amizades muitos amigos que são veganos. Ao definir nosso modelo de produto juntamente com nossas escolhas de vida, optamos por não utilizar nenhuma matéria prima de origem animal e também estamos passando pelo processo de certificação de produto vegano.

– Existe todo um conceito por trás da marca e quem compra uma peça de vocês compra também essa ideia que carregam. Como é para vocês comunicar tudo isso que acreditam através das roupas?

Procuramos sempre mostrar em nossas redes sociais pouco a pouco tudo o que nós acreditamos, volta e meia é necessário recapitular pois sempre tem gente nova chegando. Estamos atualizando as nossas redes fixas como facebook e site para quem quiser buscar mais informações sobre a gente, procurando explicar nossos produtos, collabs e apresentando os veículos em que já tivemos reportagem. 

Nas redes também pincelamos o nosso dia a dia e os processos produtivos,  apesar de haver um planejamento é tudo vida real e postado na hora em que está acontecendo! Valorizamos muito isso pois acreditamos que aproxima o público da gente. Também procuramos comunicar muito de quem somos nas feiras e bazares que participamos, pois é nesse momento que a cliente foi até a gente especialmente para nos conhecer e ouvir a nossa história. 

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– A Ada tem uma forte ligação com o feminismo. Inclusive o nome é inspirado em uma grande mulher. Como essa ideologia foi aplicada a transmitida pela marca?

Tudo começou quando escolhemos o nome da marca e decidimos homenagear Ada Lovelace, após, definimos o segmento de produto e escolhemos mais 6 mulheres que dariam nome a nossas peças. O mais legal é que a cada modelo lançado exploramos o universo das pesquisas para encontrar mais mulheres que não necessariamente tenham realizados grandes feitos, e sim mulheres comuns do nosso dia a dia, que realizaram conquistas incríveis e incentivam outras a lutarem pelos seus direitos e conquistarem sonhos. Um exemplo é Carolina Maria de Jesus, que viveu grande parte da sua vida na favela até ter seu primeiro livro publicado, hoje este já foi traduzido para mais de 10 idiomas. 

Outra coisa legal é a nossa pesquisa, que nos permitiu conhecer o trabalho da cordelista e escritora Jarid Arraes, que faz incríveis cordéis biográficos sobre mulheres brasileiras. Adquirimos alguns cordéis de 6 mulheres que seriam a inspiração dos novos produtos e enviamos eles com as primeiras vendas de cada peça, para que outras pessoas conheçam não só a história daquela mulher, como o trabalho de Jarid. 

Também procuramos ofertar uma grade de produtos diferenciada, disponibilizando nossos tamanhos do PP ao GG, para as alturas de 1,60/ 1,70 e 1,80! Como desde o lançamento da marca houve uma procura muito grande para tamanhos petite, nessa segunda 29/08 estaremos lançando nossa grade de tamanhos para as petites <3

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– Qual a sua relação com o trabalho feito à mão?

O trabalho manual sempre esteve muito presente em nossas famílias, a avó da Camila tricotava, bordava, crochetava e costurava de tudo um pouco, então é algo que está no sangue. Quando idealizamos a marca pensamos no manual e no fazer, no intimismo da consumidora poder conhecer quem está por trás de todo o processo produtivo de cada peça. No início realizávamos o corte dos vestidos um a um, manualmente na tesoura, e apesar das costuras serem na máquina, todo o processo levava até 7 horas para ser finalizado. Hoje utilizamos máquina de corte, mas o tempo produtivo ainda varia entre 3 e 5 horas para cada peça e continuamos realizando todos os acabamentos a mão. Em nosso ateliê procuramos injetar um pouco da nossa paixão pelo manual em cada peça que é confeccionada.

– Onde as pessoas podem encontrar os vestidos de vocês? 

Por enquanto temos dois canais de vendas físicas: Porto Alegre/RS e São Paulo/SP

Porto Alegre: Temos nosso ateliê aberto, situado na Zona Sul, onde as pessoas podem entrar em contato conosco via insta, facebook ou e-mail para agendar um horário e vir nos visitar! 

São Paulo/SP: Temos algumas peças na Galeria Nacional – Rua Mateus Grou, 540 – Bairro Pinheiros

Também temos quatro portais de vendas online:

Nosso Site: www.conceitoada.com

A +Alma, curadoria de produtos com Design Brasileiro: www.maisalma.com

A OAK – One Of a Kind, curadoria de produtos gaúchos: shopoak.com.br

E a nossa collab com a Boutique São Paulo que é vendida com exclusividade no site deles: boutiquesaopaulo.com.br/produto/vestido-luisa/

– Se a Ada fosse uma pessoa, como ela seria?

Seria uma mulher que acredita que um mundo melhor é possível e que faria de tudo para ver isso acontecer!

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E pra fechar, todo o resíduo produzido pelas peças é destinado à ONG Patas Dadas, que transforma essas sobras em capas e camas para cachorros e gatos, dando um novo significado para o que seria considerado lixo industrial.

Para acompanhar bem de pertinho o trabalho dessas meninas cheias de talento e muita responsabilidade, siga o perfil delas no Instagram (@conceitoada) e curtam a página do Facebook (Conceito Ada). 

Modefica Offline

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Nos dias 6 e 7 de agosto acontece aqui em São Paulo o evento Modefica Offline desse ano.

Para quem não conhece, o Modefica é um site para mulheres feito por mulheres. Nele encontramos assuntos relacionados à moda, estilo e cultura tratados de forma consciente e igualitária. Os temas giram e torno do empoderamento feminino, veganismo, trabalhos feitos à mão e alternativas conscientes de consumo – sempre se preocupando com os impactos ambientais e o cuidado com os animais.

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Com o propósito de trazer esses debates do mundo online para o offline, prepararam uma programação imperdível em apenas um final de semana. O evento conta com palestras, workshops, pop-up store de pequenas marcas, música e comidinhas gostosas. Tudo isso comandado por mulheres empreendedoras, ativistas e acadêmicas.

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Veja aqui a programação completa e se inspire você também com esses pequenos atos que somados podem fazer uma grande diferença no ambiente em que vivemos.

E eu estarei lá para fazer a cobertura do evento e trazer tudo de mais interessante aqui para o Vida de Amora. Vamos?

 

  • Data: 6 e 7 de agosto
  • Local: Rua Lisboa, 445 – Pinheiros – São Paulo
  • Mais informações sobre inscrições e horários: offline.modefica.com.br

Falo de força, não de flores

Como muitos sabem o dia 8 de março é o Dia Internacional da Mulher e, ao contrário do que os comerciais pregam, o dia de hoje não é somente mais uma data comercial – dia para dar presente para a mãe, um bombom para a namorada ou entregar flores para as mulheres. Nesse dia 8 de março, não queremos apenas os parabéns, queremos ver mais reflexão, mais respeito e, acima de tudo, mais igualdade. Hoje é mais um dia para lutarmos pelos nossos direitos: políticos e de expressão. É dia de nos libertar da violência e de tudo que ainda nos prende.

Desde o início do século XX as mulheres se unem em busca dos seus direitos, sobretudo trabalhistas. O episódio do incêndio na fábrica de Nova York (25/03/1911) somado a greve de trabalhadoras do setor de tecelagem durante a revolução russa (8/03/1917) entre outras manifestações feministas, fizeram com que o dia 8 de março se tornasse aos poucos o principal dia para homenagear as mulheres.

Muitos anos se passaram, muitas revoluções e evoluções aconteceram, mas a igualdade de gêneros ainda está longe de ser alcançada. Pensando nos porquês e sempre em busca de alternativas, resolvi organizar o pensamento em uma lista de 5 problemáticas que considero importantes pra refletirmos juntos não só hoje mas sempre.

  • Equidade salarial: Hoje os homens ainda são a maioria dos empregados no Brasil e a diferença salarial ainda existe. Alguns fatores baseados em como a nossa sociedade é estruturada ajudam a explicar essa diferença. Por conta do machismo algumas mulheres tendem a se concentrar em ocupações que remuneram menos por serem muitas vezes educadas a terem menos expectativas em relação a sua vida profissional. Além disso, elas são muitas vezes obrigadas a interromper a carreira com mais frequência e sofrem preconceito por terem que lidar com questões como a licença maternidade. Estudos indicam que essa diferença salarial é menor em países onde os homens dividem os afazeres domésticos com as mulheres. Nesses lugares, os filhos e o cuidar da casa não tem tanto impacto na vida das mulheres pois as tarefas são responsabilidade igualmente divididas entre o homem e a mulher e o fato dos dois mudarem suas rotinas igualmente com o nascimento de um filho não permite que isso interfira somente na carreira profissional da mulher – lembrando sempre que a única tarefa da maternidade que é exclusividade da mulher é o gerar e o amamentar, todas as outras tarefas podem e devem ser divididas com o pai que é igualmente responsável pelos cuidados da criança.
  • Fragilidade: em muitos momentos aprendemos que para sermos femininas devemos ser delicadas. Mas até que ponto essa delicadeza não nos remete a fraqueza? Por muitos anos a mulher foi – e em algumas culturas ainda é – considerada propriedade do homem, seja na figura do pai ou do marido, mas sempre subjulgada aos cuidados de um homem pra que então pudesse se considerar protegida de tudo e de todos. Em muitos filmes são elas que amam, são elas que se entregam, que se submetem, são elas que sofrem. É preciso lutar para que o ser feminino seja valorizado e fortalecido. É preciso que uma mulher não tenha necessidade de emular comportamentos masculinos pra que seja considerada forte. É importante que a feminilidade não seja imediatamente ligada a fraqueza e fragilidade e sim esteja aberta a todas as múltiplas possibilidades e especificidades que cada mulher pode oferecer.
  • Rivalidade entre as mulheres: desde que o mundo é mundo no entretenimento e nas telenovelas, mulheres são colocadas umas contra as outras em uma disputa por beleza, carisma, talentos e, principalmente, por homens. A cultura de massa que impõe o “beijinho no ombro”, que transforma a outra em “recalcada”, em “inimiga”, em “falsiane” provoca a desunião das mulheres por algo banal e sem sentido. Enquanto isso os homens são estimulados a tratar seus iguais como “parças”, “irmão”, tudo na maior “brodagem”. Acredite, a vida da mulher também pode e deve ser assim. Fica muito mais fácil quando admiramos aquela que está ao nosso lado e nos colocamos a disposição para enfrentarmos juntas as dificuldades de ser mulher.
  • Ditadura da beleza: a mulher foi criada para ser perfeita aos olhos dos homens e da sociedade. Espinhas? Secativo. Rugas? Cremes anti idade. Celulite? Drenagem. É baixa? Salto. Gorduras? Boca fechada e academia agora! Por todos os lados somos cobradas pela perfeição e por nos encaixarmos num padrão. Já parou para se perguntar se você realmente se incomoda com aquelas gordurinhas na lateral da sua barriga ou se é a TV, a revista ou até mesmo o seu próprio marido que te obriga a ter um corpo “ideal”? Ser vaidosa não é tentar corrigir tudo que encontra de “errado” em você. Se amar é se aceitar, respeitar a sua própria natureza e ser do jeito que você escolher ser.
  • Objetificação da mulher: ainda vemos em propagandas, programas de humor e no entretenimento em geral muitas maneiras ofensivas de tratar a mulher. Em alguns momentos elas são colocadas como objeto de desejo e tendo a sua inteligência subestimada por apresentadores que usam e abusam das suas marionetes de palco. Nos filmes e séries elas também são muitas vezes retratadas como perigosas – elas usam o seu poder de sedução para enganar, persuadir e dissimular. A sexualização do corpo feminino em prol da satisfação do homem contribui para que alguns sintam a liberdade de praticar assédios por acharem nossos corpos “convidativos”. A violência contra a mulher é diária, 50% dos assassinatos de mulheres no Brasil, envolvem violência doméstica pela descriminação da mulher.

Que o dia de hoje seja sim de celebração de todas as lutas já vencidas, mas que a gente nunca perca de vista tudo que ainda precisamos conquistar. Que o nosso presente venha em forma de atenção, seja embrulhado de consciência e que os chocolates tenham gostinho de respeito. Esse dia é muito mais sobre força do que sobre flores. Feliz dia das mulheres.