Pausa para o café com: Crua

Ressignificação de materias, esse é o principal conceito da marca de acessórios Crua, criada pela designer de moda Germana Lópes.

Através de um olhar curioso e sensível, Germana traz uma segunda vida a resíduos de madeira que encontra em marcenarias, ateliês ou até mesmo na rua, criando peças únicas e com muita identidade.

Quer saber mais sobre o processo de criação? Veja aqui o bate papo que tivemos com ela:

Nome, onde nasceu e qual sua formação?
Germana Lópes Souza. Nasci em Maringá, no Paraná,
e cresci ali pertinho, em Guarapuava. Sou formada em Design de Moda pela UDESC, em Florianópolis.

Como começou o Crua?
Durante a universidade já era envolvida com alguns trabalhos nessa linha e fazia parte dos meus planos ter uma marca própria, trabalhar diretamente com criação, mas nunca idealizei trabalhar especificamente com joias, pensava muito em roupas e móveis. Foi algo que aconteceu, de uma maneira despretensiosa, descobrindo mesmo.
Os primeiros trabalhos começaram ainda na fase da graduação, experimentando o material, na marcenaria da faculdade, onde haviam muitas sobras de madeira. Com o tempo a ideia foi amadurecendo, enxerguei ali uma possibilidade e o que era hobby e amor virou também profissão. Em 2014 lancei a Crua. A quantidade enorme de matéria-prima com a qual eu me deparava a cada visita às marcenarias da cidade e a preocupação em transformar ela em algo útil, foi determinante para o surgimento da marca. As joias me permitem aproveitar esses pedaços menores de madeira que iriam para o lixo, dar uma nova vida à eles.

Hoje em dia reciclar, reusar e recriar está cada vez mais necessário e muitas marcas estão trazendo essa preocupação na hora de produzir suas peças. Como você aplica esse conceito na sua marca?
O estúdio Crua Design tem como conceito a ‘ressignificação’ de materiais. Os resíduos são coletados em marcenarias, ateliês, ou até mesmo em entulhos pela rua. E sobras de madeiras nobres, como canela, imbuia e peroba transformam-se através de um processo artesanal em acessórios esculturais. Pintadas à mão, as peças tem uma linguagem minimalista, com pontos de cor e traços geométricos. Simples e sofisticado ao mesmo tempo.

Como funciona o processo de seleção da madeira que usam para transformar em acessórios?
Estamos sempre de olho em caçambas, em casas que estão sendo demolidas ou reformadas, e de 15 em 15 dias fazemos uma coleta de resíduos em algumas marcenarias locais. Conseguimos aproveitar a maioria das madeiras, até mesmo pedaços bem pequenos. Geralmente encontramos resíduos de canela, peroba e imbuia. De vez em quando acontece uma surpresa, recentemente encontramos pedaços de uma janela em araucária, por exemplo.

Qual o seu maior objetivo ao criar a marca?
Buscamos criar um produto único, com identidade, um produto que difere da maioria. Trazer conceito, ao mesmo tempo que um design consciente, produzido com amor, de maneira justa e criativa.

Se a Crua fosse uma pessoa, como ela seria?
Seria crua. Sincera, simples, bonita e uma consumidora consciente.

O minimalismo e as cores das peças trazem ainda mais encanto para a marca que procura ir muito além da beleza. A Crua mostra que é possível unir estilo e consciência de forma justa e inovadora.

Acompanhe a marca nas redes sociais e não perca nenhuma novidade:

Facebook: facebook.com/CruaDesign
Instagram: instagram.com/crua.design/
Site: cruadesign.com/

Um outro olhar sobre 2015

2015 ganhou o rótulo de um ano ruim. De fato foi muito complicado em vários aspectos e triste em vários momentos. Mas apesar de tudo, tentei buscar nesse post uma ponta de esperança para que 2016 venha com energias renovadas e traga mais alegria para seguirmos em frente.

Listei 6 acontecimentos que vieram à tona nesse ano que passou e que, na minha opinião, nos faz acreditar que o mundo está passando por uma transformação muito importante nesse momento: a tomada de consciência e a busca pela igualdade.

 

  • FEMINISMO EM PAUTA

2015 foi um ano marcante para as mulheres. Foi o ano em que o feminismo virou pauta de diversos debates nas ruas e principalmente na internet, trazendo mais consciência e força para as mulheres lutarem pelos seus direitos, sua representatividade e pela sua liberdade.

Diversas campanhas foram criadas para ajudarem as mulheres a se libertarem dos machismos, assédios, relacionamentos abusivos e maus tratos. Hashtags como #meuprimeiroassedio e #omeuamigosecreto, vieram com força mostrando que elas não estão sozinhas e podem sim denunciar os abusos que sofrem diariamente e buscar ajuda uma das outras para juntas serem mais fortes.

Um novo debate sobre o que é ser mulher e representatividade feminina ganhou nova forma em campanhas publicitárias, cinema, capas de revistas e no entretenimento em geral.

O Enem também trouxe esse assunto à tona, fazendo milhares de jovens refletirem e escreverem sobre o tema na redação desse ano.

 

  • VIOLA DAVIS – PRIMEIRA MULHER NEGRA A GANHAR O EMMY

Viola Davis fez história em 2015. Pela primeira vez a estatueta do Emmy foi entregue a uma negra na categoria Série Dramática. Em seu discurso emocionado ela reforçou um ponto muito simples e importante: “A única coisa que separa mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade. Não se ganha um prêmio para um papel que não existe”.

 

  • CASAMENTO GAY

No dia 26 de junho de 2015 os EUA deram um grande passo a favor da igualdade e diminuição do preconceito. Nesse dia foi legalizado o casamento gay em todos os estados do país, reconhecendo que o amor é livre de regras e tabus e que todos tem o direito de serem felizes com aquele(a) que escolheram para construir a sua família.

 

  • CONSUMO CONSCIENTE

No ano de 2015 muito se falou sobre consumo consciente e formas alternativas de compra sem grandes prejuízos ao meio ambiente e aos animais.

Marcas veganas ganharam destaque e passaram a ser conhecidas por um número ainda maior de pessoas que se preocupam cada vez mais com aquilo que consomem.

A compra de roupas usadas, como em brechós e em plataformas como o Enjoei, trouxeram uma alternativa ótima para quem passou a se preocupar com o descarte das roupas que não usamos mais. Essa iniciativa além de prologar a vida de cada peça e estimular a troca, evita a geração de ainda mais lixo para o meio ambiente. A reciclagem também pode ser feita no seu guarda-roupa. Basta começar!

Outro ponto super positivo foi a valorização dos produtos feitos a mão. Nada mais prazeroso que comprar algo que você sabe quem fez, como fez e o carinho que foi depositado sobre o que você vai vestir ou colocar na sua casa. A campanha “Compre do pequeno negócio” também veio forte pra nos incentivar a conhecer quem fez aquilo que consumimos. Só energia boa rolando por aí.

 

  • OCUPAÇÃO NAS ESCOLAS DE SÃO PAULO

Os jovens de São Paulo mostraram que juntos tem muito poder. Foi uma luta que arrepiou e encheu de emoção os corações daqueles que acompanharam dia a dia as ocupações em mais de 200 escolas no Estado de São Paulo. Nada mais bonito do que ver essa nova geração cheia de força para multiplicarem o bem e seguirem convictos de seus desejos. Eles lutaram pelo bem mais nobre e que lhes é de total direito: o da educação.

 

  • A YOUTUBER

Dando uma pincelada sobre todos os tópicos acima – feminismo, preconceito, educação e internet – no ano de 2015 o youtube ganhou um canal pra lá de descolado e com muito assunto bom pra debater. Foi o canal Jout Jout, Prazer que fez diversos assuntos interessantes serem debatidos de uma forma totalmente autêntica e livre de julgamentos. Com mais de 600 mil inscritos, Jout Jout ganhou maior notoriedade a partir do vídeo “Não tira o batom vermelho”, que relatava casos de relacionamentos abusivos, e daí em diante não parou mais de ser ouvida e admirada por jovens e adultos também.

 

Tempos difíceis nos faz colocar a mão na consciência e perceber que ainda temos muito a discutir, crescer e evoluir. 2015 foi um ano difícil, mas nos fez sacudir a poeira e lutar ainda mais pelos nossos direitos e pelo que é correto. Tudo na vida tem um lado positivo, basta ter calma e sabedoria para enxergar.

Pausa para o café com: Gioconda Clothing

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Quem disse que nos nossos momentos em casa devemos estar vestidas com as nossas piores roupas? Esse tempinho tão raro e especial que vivemos em nossos dias deve sim ser regado de charme, conforto e delicadeza. E foi pensando nisso que a Cínthia criou a Gioconda Clothing.

Nos preocupamos tanto com a roupa que vamos vestir para sair de casa que nos esquecemos que aquele momento em que ninguém está nos vendo é tão importante quanto, pois é nele que reservamos o nosso tempo para cuidarmos de nós mesmas; da nossa saúde e do nosso bem estar.

Quer se inspirar mais e curtir a preguiça sem culpa? A Cínthia te explica como:

Cínthia, 31 anos, formação em Artes Plásticas, mas estudei 2 anos de Design de Moda na Santa Marcelina e me especializei em Design Editorial pelo IED.

– O que a motivou a criar a sua própria marca? 
Eu queria trabalhar de forma independente, pois nunca me encontrei no mercado de trabalho e sempre senti meu conhecimento sub-aproveitado. Eu queria explorar meu lado criativo em todas as áreas que eu passei, a arte, a moda e o editorial.

– Como a Gioconda Clothing começou e tomou a forma que ela tem hoje?
Ela surgiu de uma necessidade banal e uma lembrança afetiva de família. Como eu tinha dificuldade para encontrar calcinhas (e roupas no geral) de algodão, eu me lembrei das calcinhas que minha mãe fazia antigamente, com restos de tecidos que ela costurava lençóis.
Então optei por trabalhar somente com tecido de fibras naturais.
Nessa época dediquei toda a minha energia na criação da marca e ela carrega muito do que eu almejava na minha vida.
Depositei toda a minha ânsia por uma vida fora dos padrões convencionais de trabalho e consequentemente de estilo de vida. Pensei que não faria sentido criar uma marca de roupas femininas somente, então fiz um recorte dentro desse universo e foquei em roupas para usar em casa, pra quem curte passar o tempo em casa, curtindo o ócio, o silêncio e o tempo consigo mesmo, algo tão raro hoje em dia.

– Qual a principal mensagem que pensaram em passar quando criaram a marca?
Na teoria, a mensagem principal que permeia a personalidade da Gioconda, é o conforto, que envolve estar bem vestida e a vontade consigo mesmo. Na prática o que a Gioconda dissipa é o direito da preguiça, a necessidade de se dedicar um tempo a si mesmo e ao nada, à anti-produtividade, ao ócio. É muito comum as pessoas sentirem remorso por não estarem fazendo nada, sem se darem conta, mas é extremamente necessário e saudável. Todo corpo precisa dessa pausa, e a Gioconda quer propagar isso.

– Se a Gioconda Clothing fosse uma pessoa, como a descreveria?
Ela seria uma mistura de Frida Khalo com Edie Sedgwick. Teria toda a observação e contemplação que Frida possuía pela vida e pela natureza, mas também pelos prazeres bohemios assim como Edie, e um certo deboche pelo tempo gasto pela maioria das pessoas com coisas ao seu ver, inúteis ou supérfluas. Ela veria calmaria em uma tempestade.

– O que te faz acordar todos os dias satisfeita com o que faz?
A busca pela satisfação é uma luta constante, porém o que me deixa muito contente é ver quando as pessoas compreendem o universo da Gioconda e sentem a brisa boa que ela transmite.

 

Também ficou com vontade de ficar em casa por uma tarde e aproveitar o tempo com você mesma? E se quiser curtir esses momentos a la Gioconda, acompanhe a marca nas redes sociais:

Facebook: facebook.com/giocondaclothing
Instagram: instagram.com/giocondaclothing
Site: giocondaclothing.com.br

 

Fotos: Luiza Potiens

Pausa para o café com: Mermaidss

Delicadeza. Essa é a palavra que melhor define o trabalho da Isabel Zachow e da Manuella Maria Fernandes, criadoras da Mermaidss, marca de camisas bordadas a mão e que tem como inspiração o fundo do mar.

São âncoras, sereias, corações.. Tudo bordado no maior capricho pelas duas em camisas feitas pela mãe de Isabel, que utiliza tecido cambraia de algodão para dar todo o frescor que a marca transmite.

Bati um papo rápido com a Isabel que nos contou um pouco sobre como foi o processo de criação da Mermaidss:

Isabel trabalha com moda desde os 17 anos e foi modelo. Manuella trabalhou em agencia de publicidade, com produção de moda e muito tempo no restaurante Spot.

– Como começou a marca de vocês? O que a motivou a criá-la?
Depois de ter meu filho, repensei o meu trabalho. Era impossível voltar a trabalhar naquele ritmo frenético de fotos, filmes e produção sem hora para acabar e começar. Fiquei em casa só cuidando dele, mas começou uma necessidade de produzir algo também. Foi ai que numa conversa de amigas surgiu a ideia da Mermaidss. Minha mãe é costureira e também já se aposentou. Conversamos com ela sobre a possibilidade de costurar pra nós e assim começamos nós três. Compramos o tecido, mandamos pra ela e ela nos envia a camisa pronta e aqui em São Paulo bordamos, etiquetamos e colocamos os botões.

– Qual a relação de vocês com o bordado e com tudo que é feito a mão?
Sempre gostamos da arte manual, eu sempre fiz crochê e algum tricot. A Manuella começou a bordar nas aulas da professora de bordado Flavia Lhacer. Logo eu me apaixonei pela arte e comecei a bordar também.
A arte manual é uma terapia sem dúvida. Foi uma maneira de continuar trabalhando e também conseguir conciliar a criação dos filhos, fazendo tudo em casa.

– Qual a maior fonte de inspiração de vocês?
A nossa fonte de inspiração esta nas coisas simples, desenhos lúdicos, tatuagens antigas, o mar e os também os pedidos de nossos clientes nos inspiram a nunca parar de criar.

– Se a Mermaidss fosse uma pessoa, como você a descreveria?
Se fosse uma pessoa, acho que seria uma criança bem pequena, mas com muita vontade de crescer e aprender, cheia de sonhos e esperança.

 

Muita leveza e bom gosto! E se você também quer ter sua camisa bordada por elas, mande um email para oimermaidss@gmail.com e encomende a sua!

Facebook: facebook.com/Oimermaidss
Instagram: instagram.com/oimermaidss