Fashion Revolution Week – Quem fez minhas roupas?

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Hoje começa o Fashion Revolution Week, semana destinada a questionamentos e debates sobre formas de consumo mais consciente e sustentável, além de buscar trazer transparência no processo de produção das roupas.

Quem fez minhas roupas? Essa é a pergunta que o FRW, que acontece em mais de 80 países quer te ajudar a responder ou ao menos questionar. Continue lendo

Pausa para o café com: Crua

Ressignificação de materias, esse é o principal conceito da marca de acessórios Crua, criada pela designer de moda Germana Lópes.

Através de um olhar curioso e sensível, Germana traz uma segunda vida a resíduos de madeira que encontra em marcenarias, ateliês ou até mesmo na rua, criando peças únicas e com muita identidade.

Quer saber mais sobre o processo de criação? Veja aqui o bate papo que tivemos com ela:

Nome, onde nasceu e qual sua formação?
Germana Lópes Souza. Nasci em Maringá, no Paraná,
e cresci ali pertinho, em Guarapuava. Sou formada em Design de Moda pela UDESC, em Florianópolis.

Como começou o Crua?
Durante a universidade já era envolvida com alguns trabalhos nessa linha e fazia parte dos meus planos ter uma marca própria, trabalhar diretamente com criação, mas nunca idealizei trabalhar especificamente com joias, pensava muito em roupas e móveis. Foi algo que aconteceu, de uma maneira despretensiosa, descobrindo mesmo.
Os primeiros trabalhos começaram ainda na fase da graduação, experimentando o material, na marcenaria da faculdade, onde haviam muitas sobras de madeira. Com o tempo a ideia foi amadurecendo, enxerguei ali uma possibilidade e o que era hobby e amor virou também profissão. Em 2014 lancei a Crua. A quantidade enorme de matéria-prima com a qual eu me deparava a cada visita às marcenarias da cidade e a preocupação em transformar ela em algo útil, foi determinante para o surgimento da marca. As joias me permitem aproveitar esses pedaços menores de madeira que iriam para o lixo, dar uma nova vida à eles.

Hoje em dia reciclar, reusar e recriar está cada vez mais necessário e muitas marcas estão trazendo essa preocupação na hora de produzir suas peças. Como você aplica esse conceito na sua marca?
O estúdio Crua Design tem como conceito a ‘ressignificação’ de materiais. Os resíduos são coletados em marcenarias, ateliês, ou até mesmo em entulhos pela rua. E sobras de madeiras nobres, como canela, imbuia e peroba transformam-se através de um processo artesanal em acessórios esculturais. Pintadas à mão, as peças tem uma linguagem minimalista, com pontos de cor e traços geométricos. Simples e sofisticado ao mesmo tempo.

Como funciona o processo de seleção da madeira que usam para transformar em acessórios?
Estamos sempre de olho em caçambas, em casas que estão sendo demolidas ou reformadas, e de 15 em 15 dias fazemos uma coleta de resíduos em algumas marcenarias locais. Conseguimos aproveitar a maioria das madeiras, até mesmo pedaços bem pequenos. Geralmente encontramos resíduos de canela, peroba e imbuia. De vez em quando acontece uma surpresa, recentemente encontramos pedaços de uma janela em araucária, por exemplo.

Qual o seu maior objetivo ao criar a marca?
Buscamos criar um produto único, com identidade, um produto que difere da maioria. Trazer conceito, ao mesmo tempo que um design consciente, produzido com amor, de maneira justa e criativa.

Se a Crua fosse uma pessoa, como ela seria?
Seria crua. Sincera, simples, bonita e uma consumidora consciente.

O minimalismo e as cores das peças trazem ainda mais encanto para a marca que procura ir muito além da beleza. A Crua mostra que é possível unir estilo e consciência de forma justa e inovadora.

Acompanhe a marca nas redes sociais e não perca nenhuma novidade:

Facebook: facebook.com/CruaDesign
Instagram: instagram.com/crua.design/
Site: cruadesign.com/

Fashion Revolution Week

Quem fez minhas roupas? Essa é a pergunta que o Fashion Revolution Week quer te ajudar a responder ou ao menos
questionar. O evento, que tem início essa semana em mais de 80 países, já começou nesse sábado dia 16, em várias cidades do Brasil e veio para apresentar outras formas de consumo com uma maneira mais consciente e sustentável, além de buscar trazer transparência no processo de produção das roupas.

O movimento surgiu em 2013 após o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh. O episódio aconteceu no dia 24 de abril desse mesmo ano e fez da data um momento para se pensar nos impactos que a indústria causa para o mundo em todas as suas etapas. Como a própria fundadora da campanha, Carry Somers, diz: “Eu vi que o desastre do Rana Plaza poderia atuar como um catalisador, espalhando a conscientização em prol da moda ética/sustentável e fornecendo uma janela para fazer a mudança real”.

No Brasil o Fashion Revolution acontece em grandes capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Teresina, Salvador, Cuiabá e outras cidades. Para saber a lista completa com datas e programação é só entrar aqui. Quem também for de São Paulo – como eu – fica esperto que hoje mesmo já acontecem palestras super legais sobre o assunto lá na Escola São Paulo.

Vivemos em um momento em que muito se fala sobre sustentabilidade e alternativas de consumo consciente, mas ainda temos presente no nosso dia a dia as fast fashions baratas e a cultura das roupas descartáveis. Para ajudar a resolver todas essas dúvidas que ainda estão em nossas mentes nesse momento de transição, nada como aprender e
estar aberto para ouvir e debater sobre a nossa relação com aquilo que vestimos. Nós provocamos o impacto de todas as maneiras, não só com as roupas. Ser consciente e informado é mais uma etapa de um processo que com passinhos de formiga pode nos trazer grandes soluções em um futuro próximo.

Faça parte também desse movimento, no dia 24 de abril vista sua roupa do avesso e questione você também: Quem fez minhas roupas?

H&M e M.I.A. – World Recycle Week

Com falas fortes e diretas começa o clipe Rewear It, lançado ontem pela cantora M.I.A. em parceria com a H&M:

“É nossa obrigação colocar o mundo em uma nova direção.
O problema ambiental é real, essa é a questão mais importante da nossa geração.
Nós somos todos parte da solução para a mudança climática.
Nós não podemos esperar que outra pessoa tome essa atitude, existem coisas que todos nós podemos começar a realizar e que juntas podem fazer uma grande diferença.”

M.I.A., que sempre buscou trazer para as suas letras assuntos importantes – como política e imigração –  dessa vez se juntou a uma das maiores fast fashions do mundo para abraçar a campanha criada pela marca desde 2013, a World Recicle Week.

A campanha tem como objetivo arrecadar toneladas de roupas usadas – em boas condições ou não – e dar uma segunda vida para essas peças. As roupas doadas são classificadas de acordo com a sua condição, as que estão em bom estado podem ser utilizadas por outras pessoas como produtos de segunda mão. Aquelas que estão muito desgastadas ou rasgadas viram materias isolantes, enchimento para carros, fibras ou podem até mesmo virar matéria prima para produção de novos tecidos.

A ação consiste em estimular as pessoas que tem acesso à lojas da H&M a levar as suas peças usadas e em troca receber um voucher para a compra de uma peça nova. Nesse ano a World Recycle Week entra em ação entre os dias 18 e 24 de abril em todas as cidades onde a loja está presente.

Muitos devem estar achando estranho o fato de uma fast fashion – que sabemos que são as maiores causadoras dos desastres ambientais e humanos relacionados a indústria da moda – querer falar sobre o resgate do meio ambiente. Mas acredito que a mesma mão que feriu pode sim começar a apresentar novas atitudes, mudar a sua posição e aproveitar o seu reconhecimento no mundo todo para dar início a novas maneiras de lidar com todo o estrago que foi feito e ainda servir como fonte de inspiração para outras marcas do mesmo ramo aplicarem isso nas suas empresas também.

É importante vermos empresas grandes como a H&M se vendo obrigadas e lidar com esse tipo de assunto. Temos ainda uma longa caminhada para o “mundo ideal”, mas são com novas atitudes – uma aqui, outra ali – que podemos dar grandes passos a favor de uma indústria mais consciente.

Como dito no próprio video da H&M sobre o assunto: juntos podemos fechar o ciclo e não deixarmos a moda ir para o lixo.

E como era de se esperar, mais uma vez M.I.A. traz um clipe forte e artisticamente bonito. Sente só: hm.com/ca/world-recycle-week