Minha retrospectiva de 2017

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Começar um novo ano é também olhar para o anterior com o carinho de quem deu bons passos e também com a força para buscar aquilo que ainda não foi possível no ano anterior.

Com esse pensamento, fiz uma listinha com as 10 melhores coisas que me aconteceram em 2017, para nunca me esquecer de agradecer por tudo que vivi. Compartilho por aqui esses momentos que foram felizes para mim e que podem inspirar por ai também 🙂

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“Pegue seu coração partido e transforme em arte”

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Mais um ano começando. Gosto muito de iniciar esses ciclos com reflexões que o ano passado me trouxe e então pensar no que desejo colocar em prática, durante todo o ano seguinte.

Comecei 2016 com um texto sobre como o ano de 2015 – que também levou a fama de um ano difícil – foi um ano determinante e positivo sim em vários sentidos. Agora venho aqui não para falar mal de 2016 – por mais que ele tenha muitos motivos por levar essa má fama – mas pra mais do que exaltar os seus maus feitos, focar nos erros e buscarmos, através desses aprendizados, formas de sermos melhores dentro desse universo de situações.

E foi à procura de inspirações para iniciar o ano aqui no Vida de Amora com uma mensagem positiva que me deparei com o discurso super emocionante, correto e rico de pureza, verdade e simplicidade da atriz Meryl Streep no Golden Globes, transmitido nesse domingo.

O discurso da atriz teve como base a péssima postura do atual presidente dos Estados Unidos. Ela falou, com voz embargada da tristeza que sentiu quando viu a forma como zombou de um jornalista portador de deficiência física em rede aberta e sem o menor respeito. Também ironizou de forma inteligentíssima a postura do presidente em relação aos estrangeiros que habitam o país. Mas para mim a sua fala foi muito além disso, foi exemplo de humanidade, de amor ao próximo e preocupação não apenas com quem está ao seu redor, mas com o futuro que temos a viver. Seu discurso foi uma aula, foi quase um mantra que devemos repetir durante todo esse ano que ainda se inicia. Foi um chamado para que nós assumamos a responsabilidade pelo mundo que queremos construir e que usemos a nossa voz pra sermos agentes da verdade. Foi uma base para falarmos daquilo que mais faltou em 2016: respeito.

Enquanto ouvia as palavras de Streep senti uma alegria muito grande ao ver uma mulher tão genial dizendo tudo aquilo que acredito para milhões e milhões de pessoas ouvirem ou ao menos refletirem. Como disse esses dias mesmo para minhas amigas, minha intenção aqui não é mudar a cabeça de ninguém, mas se eu puder pelo menos levantar questionamentos e puder descobrir outras pessoas que também me apresentem novos pontos de vista, eu já me sentirei um pouco mais realizada. E uma das coisas que ela disse e que mexeu muito comigo foi em relação ao direito que o indivíduo que está no poder sente de humilhar ou zombar daquele que ele acredita ser menor que ele. Essa atitude acontece todos os dias, não precisamos ir muito longe. Essa atitude acontece na escola quando você responde feio para o professor e finaliza dizendo que você que paga o seu salário. Está quando você levanta da mesa do refeitório e não retira sua bandeja toda bagunçada porque acha que a balconista tem a obrigação de tirar para você. Está quando você, chefe, nem diz bom dia aos seus funcionários por achar que você é melhor que ele por ter o cargo que tem. Precisamos nos lembrar que para uma cadeia existir de forma perfeita precisamos que TODAS as partes atuem perfeitamente. Se uma delas falha, ninguém consegue realizar o seu trabalho. Para uma cidade funcionar perfeitamente precisamos que os lixeiros a limpe todas as manhãs, sem eles viveríamos em um caos, precisamos dos professores atuando em suas aulas inspiradoras e cheios de motivação, precisamos dos médicos sempre com a boa vontade, capacidade de atender e querer bem do próximo. Para um prédio ser erguido precisamos dos cálculos dos engenheiros tanto quanto precisamos das habilidades e da cabeça cheia de experiência dos pedreiros que colocam a mão na massa e também fazem aquele projeto sair do papel. Precisamos lembrar que somos todos iguais, apesar das dificuldades e privilégios de cada um e que só seremos capazes de atingir uma sociedade melhor quando todos forem igualmente valorizados e igualmente respeitados. Como Meryl Streep disse “Desrespeito atrai desrespeito. Violência incita mais violência.” E o que fazer para mudar esse quadro? Fazendo exatamente o oposto: respeitando para ser respeitado, dando atenção para ter atenção, sendo gentil para assim receber gentilezas. Seja aquilo que você deseja de bom para o meio em que vive. Parece clichê, mas é a mais pura verdade e é tão simples, não é mesmo?

Muita gente critica os ideais segregacionistas do presidente citado no discurso da atriz. Sua intenção, mencionada em campanha, de construir um muro na fronteira de seu país além de burra, pois a economia do país depende dos estrangeiros para continuar a funcionar, é também de uma falta de humanidade incomensurável. Mas muitos que criticam, com razão, também não percebem é que na verdade os muros já existem. Nós vivemos num mundo onde cada um tem um lugar determinado no imaginário da sociedade, tem gente que não pode pertencer a certos espaços, o clube é privado, o condomínio tem portaria, alguns não podem ir à escola, outros lutam a vida toda mas não conseguem chegar aonde queriam, e não é por falta de mérito, é apenas uma simples questão de oportunidade. Tem gente que sonha mas antes tem fome, tem filhos, tem problema de saúde, tem dor, tem culpa, não tem tempo, não tem condições, não tem ajuda. Tem gente que quer chegar, mas bate no muro do preconceito, no muro do julgamento, no muro do medo, no muro do gênero, da cor e das incertezas, no muro de quem não quer nem te ouvir, no muro daqueles que não te enxergam. Todos esses muros nos fazem viver com medo do outro, nos encarceram nos muros das nossas casas, nas grades das nossas janelas, cada vez mais isolados e cada vez mais distantes de entender a realidade de quem ficou do outro lado do seu muro. Por isso a tão grande importância de quebrarmos as barreiras. Sim, acredito que a vida é sobre vencê-las, mas temos que reconhecer o privilégio e o quanto saem na frente nessa corrida aqueles que têm um caminho mais livre.

Aqui chegamos a outro ponto muito importante citado pela atriz, o poder da empatia. Fui buscar no dicionário o significado da palavra para colocar aqui, pois acredito ser uma das mais bonitas e importantes nos dias de hoje.

“Empatia:

s.f. Ação de se colocar no lugar de outra pessoa, buscando agir ou pensar da forma como ela pensaria ou agiria nas mesmas circunstâncias.”

Antes de julgar o outro, pense nas oportunidades que você teve e que talvez aquele bandido que ontem foi assassinado na cadeia não teve. Antes de tacar pedras, pense no que transformou aquela criança que você chama de monstro em um jovem capaz de roubar. Pense no amor que sua família te deu e que aquele menino que está na rua passando fome nunca teve. Procure tentar entender, sem julgar ou achar que sabe, o que é a dor de ser sempre subjugado dentro do corpo que você possui e saber que muitas pessoas nunca vão te deixar ir além disso. Muitas histórias são terríveis. Muitas tristezas são grandes. Mas muitas vezes um simples olhar que vê, um ouvido que escuta e uma demonstração de respeito pode mudar a realidade de alguém.

E pra você que como eu, diante das tristezas do mundo de hoje também fica reflexiva e com o coração dolorido, a Meryl Streep também trouxe uma outra solução ao relembrar as palavras da hoje saudosa Carrie Fisher: “Pegue o seu coração partido e transforme em arte”.

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