O saldo positivo do SPFWn41

A semana de moda de São Paulo veio com uma cara toda diferente esse ano. Tivemos mudanças como a não utilização da nomenclatura Verão/Inverno para os desfiles e também a implementação do “See Now, Buy Now” (veja agora, compre agora), fazendo dessa semana uma grande campanha – reforçada através das redes sociais – para atender a demanda de pessoas que pretendem ter aquelas peças no minuto seguinte do fim do desfile.

Mas além dessas mudanças que trouxeram bastante polêmica quando foram anunciadas, tivemos um saldo bastante positivo quando pensamos em moda sustentável. Termos como reciclagem, reuso e feito à mão estiveram presentes em alguns desfiles e provaram que a moda pode sim ser moderna, elegante e consciente.

Nesse ano quem trouxe à tona esses termos na descrição do seu desfile foi Alexandre Herchcovitch em sua estreia para À La Garçonne. Confeccionada em tempo recorde – 45 dias e com a ajuda de apenas 6 pessoas –  a coleção trouxe o lado mais amoroso e humano de Alexandre, que apresentou o conceito upcycling nas passarelas do SPFW. Roupas feitas a partir de tecidos vintage das décadas de 40 até 90, jaquetas pintadas à mão e bolsa de lona reciclada fazem parte dessa nova proposta de confecção de Alexandre. Além disso, o estilista trouxe os sapatos veganos feitos em material sintético pela Di Cristalli que já estão disponíveis em pré venda.

Outro estlista que chamou a atenção foi João Pimenta com a sua forte moda masculina – que também traz traços super femininos nos seus cortes, fazendo a boa mescla de gêneros tão falada ultimamente – abriu o seu desfile ao som da orquestra baiana do projeto Neojiba e com a presença de 4 paraatletas vestindo as peças da coleção. Quem deu vida aos tecidos desse desfile foram a comunidades sustentáveis da Paraíba, que reutilizaram tecidos de redes – de balanço mesmo – para a confecção de algumas peças. Outro ponto alto foram as jaquetas feitas a partir de um tear de fitas VHS.

E quando o assunto é consciência nas passarelas do SPFW, não poderia deixar de lado o mineiro Ronaldo Fraga, que inova não apenas na sua forma de criar moda mas também tem o dom de problematizá-la e fazer dela um instrumento de comunicação ou até mesmo protesto. Nessa coleção Ronaldo teve como inspiração os refugiados do mundo. Por onde ele passa consegue poetizar e transmitir todos esses sentimentos em suas peças e, para essa coleção, trouxe em sua bagagem histórias que viveu em Moçambique, na África. Pioneiro nesse assunto, Ronaldo quebrou barreiras e executa o seu trabalho com maestria em todos os sentidos.

Ver estilistas renomados aplicando esse conceito em suas coleções mostra como a moda sustentável pode sair do pequeno nicho que ela se encontra e atingir até mesmo os consumidores de alta costura. Mais um passo foi dado para propagação dessa maneira de se pensar na moda. Que venham os próximos!

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