Consumo consciente: refletindo sobre nosso poder de ação

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Para um grande movimento acontecer ele precisa ser iniciado por cada um de nós, individualmente. Não podemos pensar “mas se ninguém faz isso, do que adianta eu fazer?”. Se é algo que você acredita e que vai fazer o bem, mesmo que em pequena escala naquele momento, faça! E quando você começa a se envolver e se informar sobre o assunto pra aplicá-lo na sua vida, percebe que tem muitas outras pessoas agindo pontualmente com aquele mesmo ideal e logo você vê que não está só. Nunca está só. Você começa apresentando essa sua ideia ou modo de agir de forma leve para o seu melhor amigo, para seus pais, família, e quando vê já criou um ciclo de pessoas que estão ao menos se atentando mais aos novos temas e conceitos.

Essa é a base para o movimento que estamos vivendo hoje. Essa é a base para refletir mais sobre o que comemos, para produzir menos lixo, para novos pensamentos políticos, sociais e até mesmo para refletir sobre nossos hábitos de consumo como um todo. Uma coisa que parece distante da nossa realidade se faz mais próxima com a informação e com a dissipação dela sem radicalismo. Tudo isso está ligado a valores e ao quanto nossas atitudes refletem na vida do próximo.

Tratando de hábitos de consumo, vamos começar pela seguinte questão: Quando você pensa em uma pessoa você lembra primeiro das coisas que ela tem ou de como ela é? Acredite, grande parte das pessoas associam um indivíduo aos bens materiais que ela exibe e acumula antes mesmo de pensar em seu jeito e sua forma de pensar. Uma pessoa se torna legal ou exemplo a ser seguido por vestir roupas que estão na moda e por ter um grande apartamento no melhor bairro da cidade, mas pouco se sabe sobre como ela trata aqueles que estão ao seu redor ou se ela procura contribuir de alguma forma para um futuro melhor, mesmo que em pequena escala.

Pensando sobre esse aspecto logo notamos que a vida não é sobre ter, e sim sobre ser. Não tenha tantas coisas, não deixe que o que você consome defina quem você é. Não acredite em quem te diz que você será melhor se conseguir consumir determinada coisa. Seja maior que isso. Inspire pelo que você faz, e não pelo que você veste ou aquilo que você tem. Pra que tanto, não é mesmo?

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O nosso ciclo econômico nos impulsiona a ter. As propagandas, as revistas, a televisão, as redes sociais, tudo está ali te mostrando que a felicidade vem com códigos de barra e no mínimo três dígitos. Não culpo quem relaciona a satisfação pessoal com compras no shopping, ou com um carro novo. Mas chega um momento das nossas vidas que a gente percebe que nada daquilo preenche de fato aquele espaço que estava faltando. É aí que percebemos que o buraco está muito mais embaixo.

Hoje nos vemos obrigados a fazer coisas demais. Trabalhar demais, pensar demais, ter demais. Tudo é pra ontem e o agora é sempre esquecido. Por isso te convido a respirar bem fundo e refletir sobre seus hábitos. Todos eles. Comece com aquilo que está ao seu alcance. Pense no que tem valor de fato pra você. Comece pelo emocional e depois deposite esse valor para algo material. Valorize aquilo que você é e os laços que construiu com esse seu jeito de ser.

A partir daí você começa a estender esse pensamento para aqueles que estão ao seu redor, começa a enxergar valor no que as pessoas são, e não pelo que elas tem ou no que elas mostram. Vai ver que pouco importa se uma pessoa tem tudo que sempre quis ter mas não buscou ter uma consciência mais ampla sobre seu papel dentro da sua comunidade. Vai ver que tudo isso tão pouco a traz felicidade de fato, é apenas uma falsa ilusão de sucesso.

Todo esse raciocínio sobre valores nos faz perceber que o acúmulo de coisas que levamos para as nossas casas nem sempre faz sentido ou condiz com aquilo que de fato nós precisamos. Muitas vezes é um ato automático que fomos sugestionados a ter por séculos de uma sociedade e uma economia totalmente pautada no consumo.

Por isso a necessidade desse olhar pra dentro, dessa reflexão e dessa nova forma de consumir, desse consumo consciente que tanto falo por aqui.

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Uma vez ouvi que o nosso dinheiro é como um voto, uma forma de apoio para que aquela marca ou empresa consiga se manter e tenha capacidade de seguir com suas práticas e formas de trabalho. Por isso é extremamente importante a gente pesquisar e saber como são feitas as coisas que compramos, se o trabalhador é tratado de forma humana, como acontece o processo de produção… Enfim, é preciso que a gente crie o hábito de refletir e pesquisar antes da compra e saber para quem você quer dar esse voto. Além de tudo nesse período de reflexão também podemos por em xeque se realmente precisamos daquele produto ou se estamos agindo por influencia ou por impulso.

Olhando rápido para esse raciocínio, parece não fazer sentido, mas se formos colocar na ponta do lápis, sai muito mais em conta comprar algo por um valor um pouco mais alto, mas que você tem a certeza de que vai durar, do que sair da loja com a sacola cheia de peças que não duram nem três meses. São pequenos atos que somados fazem grande diferença.

Existe toda uma lógica antes de consumir, antes de levar pra sua casa algo para chamar de seu. Não vou dizer aqui que é uma tarefa fácil e nem que será mudada do dia pra noite, mas, como disse no começo do texto, a partir do momento em que divido com mais uma pessoa que seja essa nova forma de pensar, mais e mais pessoas podem ter essa tomada de consciência e começar a refletir sobre seus atos. Comece aos poucos, mas “seja a transformação que você quer ver no mundo”.

obs.: tirei essas fotos com o intuito de olharmos tudo mais de perto, mais próximos e mais atentos. e a natureza é sempre uma grande fonte de inspiração 🙂

3 comentários em “Consumo consciente: refletindo sobre nosso poder de ação

  1. Oi Flávia! Adorei o texto ♡ É exatamente isso, pensar mais em ser do que em ter. E até ao comprar, esse pensamento pode estar presente, quando a gente consegue se aproximar um pouquinho da história daquilo que estamos comprando. É muito bom conhecer quem está vendendo, como a coisa em si é feita e o que move cada um a fazer. Quando as inspirações de quem fez a roupa, o objeto ou a comida se encontram com as suas, o motivo pra ter/comprar aquilo é muito maior que só acumular ou mostrar que tem.

  2. É tão bom ler uma matéria que tem como objetivo despertar o melhor em nós mesmos! É sobre ter aquela pausa na nossa respiração ofegante do dia a dia e refletir sobre o que realmente importa! Por mais amor e serenidade em nós e no mundo!

  3. É tão bom ler uma matéria que tem como objetivo despertar o melhor em nós mesmos! É sobre ter aquela pausa na nossa respiração ofegante do dia a dia e refletir sobre o que realmente importa! Por mais amor e serenidade em nós e no mundo!

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