Brisa Slow fashion, uma marca consciente desde a origem da matéria prima até o consumidor final

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Quando falo sobre consumo consciente, falo sobre conhecermos e nos aprofundarmos no universo de cada marca como ponto de partida. E minha alegria é quando, nessas pesquisas, encontro pessoas que criam e se entregam para um trabalho cada vez mais cheio de verdade e preocupação com o próximo. Um exemplo disso é a Brisa Slow Fashion, nascida no Rio Grande do Sul e pronta para espalhar seus valores e mensagens para todo canto.

Transparência e leveza são as palavras que melhor definem o trabalho da Tatiana Stein, quem cuida o coordena todas as etapas de criação e desenvolvimento da marca. Tatiana se preocupa com a produção de suas peças desde a origem da matéria prima até a conscientização dos seus clientes. Os tecidos são feitos no Brasil, com cultivo sustentável e orgânico. Já o tingimento das peças é todo feito por ela, com uma técnica que ela explica direitinho aqui pra gente.

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Conversamos sobre isso e tantas outras coisas em um bate papo super gostoso, olha só:

– Conte um pouco sobre sua trajetória antes de começar a marca. o que você fazia e o que te motivou a ter o seu próprio negócio?

Eu trabalhei por anos em duas empresas de fast fashion aqui do Rio Grande do Sul e uma fábrica que produzia para essas redes. Desde lá sempre me senti muito responsável por colocar muitas roupas no mundo, produtos que seguiam tendências, com preços baixos, cuja matéria-prima, serigrafia e aviamentos tinham que ser negociados, tudo para chegar em um preço de custo cada vez mais baixos.

Percebi que esse sentimento era muito meu, já que questionava as minhas colegas do setor e ninguém sentia o mesmo.

Em 2015 fui demitida e resolvi tirar um “tempo sabático”. Na época eu morava em um sítio que estava sendo construído e criado com base na permacultura, onde plantávamos orgânicos, criávamos áreas de agrofloresta, quase não gerávamos lixo (apenas embalagens impossíveis de ser reutilizadas), pois todo lixo orgânico ia para composteira, junto de papéis e jornais.

Lá eu assumi alguns trabalhos rotineiros, do qual um deles era revirar a composteira e peneirar o composto para espalhar nas hortas, e foi nesse revirar, entre materiais orgânicos havia uma lã sintética que nunca se decompunha. Foi ai que eu me dei conta da responsabilidade que é consumir poliéster, do tempo que esse material vai ficar no mundo, seja em rios, mares ou composteiras. Comecei a me informar não só do processo inicial, de como eram feitos e dos impactos que geravam, mas também do tempo que cada coisa consumida vai ficar no mundo.

Nesse momento eu resolvi unir um sonho a uma vontade de mudar o mundo através de uma moda mais consciente, com materiais orgânicos, de baixo impacto ambiental ou recicláveis.    

– Como foi seu primeiro contato com o slow fashion e como introduziu isso na sua marca?

Estudo e leio sobre slow fashion desde 2013. Fiz meu tcc do MBA sobre o slow fashion e lembro que na época achei mais informações no youtube que em livros. Nessa época eu trabalhava em uma marca slow, onde eu consegui aprender e trabalhar com todo o processo de desenvolvimento até o consumidor final.

O slow está intrínseco na Brisa do início ao fim, a começar pela inexistência de coleções. Os produtos vão sendo desenvolvidos em pequena escala e de forma artesanal conforme a necessidade do guarda-roupa. O justo faz parte do slow, por isso há uma preocupação com plantação da matéria prima ao preço final, buscando sempre transparência em todos os processos e pessoas que os envolvem.

A conscientização do consumidor é um item fundamental por ter produtos e conceitos que englobam itens como: processo de produção, onde foi fabricado, de que forma esse produto foi produzido e por quem.

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– Qual o tipo de material você usa na produção de cada peça e como acontece essa escolha/seleção?

Hoje utilizo na Brisa apenas tecidos de produção nacional, com cultivos sustentáveis e orgânicos, ou recicláveis. Tento me informar ao máximo do processo de produção dos tecidos para poder passar isso de forma clara para os meus consumidores, e por isso tento também manter um bom relacionamento com os meus fornecedores, conversando como pessoa e não só como empresa, enviando foto dos produtos dos respectivos fornecedores.

Cada produto é idealizado, pensando sempre no conforto, na durabilidade, no efeito que terá, e a escolha do tecido é altamente importante para que esses três itens existam.

– Conte um pouco sobre a coleção cápsula e como sua marca se enquadra nesse modelo de armário cápsula?

A gente tem sempre mania de dizer que nunca tem roupa suficiente, mas no fundo o que realmente precisamos (e muitas vezes tempos) são de peças clássicas e básicas que se conversem entre si.

O armário cápsula da Brisa tem um mix de produto básico e necessário, que se mesclado nas cores atuais é possível utilizar as peças por muito tempo. Esse mix de produto é composto por: t shirt, regata, blazer alongado e minimalista, short, calça, camisa over e vestido.

Aos poucos vou sentindo a necessidade de produtos que completem esse armário, sem produzir produtos desnecessários ou produzir peças a mais do que realmente se precisa.

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– Conte sobre o processo de tingimento natural que utiliza na marca:

O processo é super artesanal, feito todo por mim. Primeiramente é necessário o tingimento no tanino (que é o extrato da casca da acácia negra) e além de ser um pré fixador, é também uma das cores da cartela Brisa. Depois é necessário extrair a coloração do que se deseja: casca de cebola, carqueja, urucum, etc, por no mínimo uns 20 min, coar o extrato deixando apenas a coloração para que inicie o tingimento nas demais cores. Para fixar a cor é necessário um mordente natural. O processo todo leva em torno de 1 hora ou mais.

– Se a Brisa fosse uma pessoa, como ela seria?

A mulher Brisa é uma pessoa leve, simples, elegante, sincera, justa, verdadeira, confiante e otimista. É uma pessoa que enxerga além do que se vê, sente o valor dar coisas no imensurável.  

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Tatiana tem uma listinha de nove valores que considera bases da sua marca, que são: artesanal, justo, local, transparente, atemporal, sustentável, minimalista, orgânico e compostável. Além disso ela acredita muito na troca, seja ela de conhecimento e/ou pensamento. Por isso leva a Brisa de forma leve e aberta para conversar, conhecer e trocar idéias ou informações com o consumidor.

São nos detalhes que a Brisa Slow Fashion vai ganhando o nosso coração e provando que existe sim moda justa, cheia de responsabilidade, consciência ambiental e coletiva.

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